Os impactos da vergonha nas relações sociais

O ser humano é um ser social por característica evolutiva e precisa formar laços por questões de sobrevivência. Todos os seres humanos têm necessidades de vinculação com o outro.

Esta necessidade faz com que indivíduos procurem por aceitação social para facilitar o desenvolvimento de suas relações e por consequência, a construção de uma rede de apoio e de contatos que forneçam a sensação de pertencimento e segurança. No entanto esta necessidade, somado a vivência de experiências e percepções negativas podem desencadear justamente o oposto, como sentimentos de vergonha e autocriticismo.

A vergonha é definida como uma emoção devastadora, autoconsciente com elevada importância social atrelada a culpabilização, avaliações negativas do self e a compreensão dos outros como reprovadores

São exemplos de sentimentos vinculados a vergonha:

  • Sentir-se julgado ou ter medo do julgamento
  • Sentir-se inferior
  • Sentir-se deslocado
  • Sentir-se diferente
  • Sentir-se rejeitado ou ter medo da rejeição

Para lidar com isso, é comum o desenvolvimento de estratégias defensivas como comportamentos de evitação, resposta de ataque ao outro, comportamento de fuga e ataque ao self.

            Os comportamentos de evitação são ações atreladas ao não enfrentamento direto de uma situação incomoda e tentativas de gerar distrações para evitar o mal-estar. Reproduzir uma piada a respeito de um comentário negativo pode ser uma estratégia desta natureza.

            As respostas de ataque ao outro ocorrem quando o indivíduo não reconhece a experiência negativa como sua e normalmente atribui a responsabilidade desta experiência a uma outra pessoa.

            O comportamento de fuga é todo comportamento onde há o reconhecimento da negatividade da situação mas o indivíduo se retira ou se esconde desta situação.

            E os comportamentos de ataque ao Self ocorrem em situações nas quais o indivíduo entende a experiência de vergonha, porém a sustenta, reproduzindo críticas a si mesmo, tendo em vista manter a estabilidade da relação com o outro.

Todas estas são estratégias defensivas que podem ser usadas por sujeitos de forma natural em algumas circunstâncias para perigos reais, mas que quando recorrentes normalmente referem alguma desordem e necessitam de atenção.

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